domingo, 30 de agosto de 2009

"O DOCE SABOR DO AZEDUME", por DEYSE MAGALHÃES

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"O DOCE SABOR DO AZEDUME", por DEYSE MAGALHÃES. MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL "AS MARGENS DO IPIRANGA" EM 30 DE JULHO DE 2009.

domingo, 21 de junho de 2009

O CINEMA DE UM HOMEM SÓ


O CINEMA DE UM HOMEM SÓ
Por Sylvia Marteleto (inimiga do povo?)


Selton Mello. Selton Mello, Selton Mello e Selton Mello. O que seria do cinema brasileiro se não fosse o Selton Mello? Não que eu desgoste do Selton Mello e suas performances – ao contrário: acho um dos poucos atores de sua geração com uma razoável capacidade. Prova disto é que até agora já citei o nome de Selton Mello sete vezes.

A questão é: por que esta máquina de conversão do dinheiro público (muito dinheiro) só dá grande visibilidade a meia-dúzia de figurinhas carimbadas? Pois, a massa não costuma assistir ao chamado “cinema sofisticado e sério”, e curiosamente, filmes nacionais de fácil digestão que lotam os cinemas – e catapultam os envolvidos para boas oportunidades futuras – custam muito. Alguns custam tanto que mal arrecadam o suficiente para fazer valer a produção.

Deste modo, mais uma pergunta surge ecoando em meus ouvidos: com tantos atores competentes, qualificados e maduros, por que nas salas de cinemas dos shoppings todos são obrigados sempre a se contentar com o Selton Mello? Vale lembrar que atualmente Selton Mello está em cartaz com dois filmes: um sobre o caso Jean Charles de Menezes e “A Mulher Invisível”, com a grande dama do teatro brasileiro Luana Piovani. De “O Alto da Compadecida”, passando por “Meu Nome não é Johnny” chegando até “Jean Charles”, o cinema das massas vem sendo de um homem só. Em resumo, na sala 1: Brad Pitt, na sala 2: Tom Cruise, na sala 3: Selton Mello, na sala 4: Christian Bale, na sala 5: Selton Mello.

Eu poderia passar o resto da noite de Domingo fazendo explodir em linhas as dúvidas que saltam da minha cabecinha filosófica e cansada. Mas, para poupar o leitor, lanço uma última reflexão: é muito estranho e insosso ter que se acostumar a ver frequentemente no cinema o Lázaro Ramos, a Fernanda Torres, o Wagner Moura, o Rodrigo Santoro, o Matheus Nastergale, a Xuxa e outras figuras reconhecíveis (“Casseta e Planeta” e “Os Normais” também contam), durante as poucas ausências de Selton Mello. É como se o cinema que dispõe de publicidade em grande escala se tornasse uma extensão das novelas do horário nobre. Uma novela condensada e de alta definição para os sempre mesmos espectadores. A Indústria Cultural é realmente deprimente.

Recentemente, assisti a uma peça de teatro em uma cidade que, ao que parece, não dá o devido incentivo às artes cênicas. A atriz principal da peça segurou o público escasso pelas unhas, com sua competência. Eu gostaria que a massa lotasse os cinemas para ver estes rostos anônimos com suas unhas afiadas. Mas, parece-me que para fazer cinema para multidões é preciso ser primeiro ator de novelas da Globo.

E se Selton Mello não interpretou o Dadinho em “Cidade de Deus”, provavelmente é porque não tinha os cabelos Black Power e não nasceu preto. “Dadinho, o caralho. Meu nome é Selton Mello”.


O CINEMA DE UM HOMEM SÓ – EM CARTAZ, SELTON MELLO:
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2009) Reis e Ratos, (2009) A Mulher Invisível, (2009) Jean Charles, (2008) Feliz Natal, (2008) A Erva do Rato, (2008) Os Desafinados, (2008) Meu Nome não É Johnny, (2007) Os Penetras, (2007) Sete Vidas, (2006) Árido Movie, (2006) Federal, (2006) Tarantino's Mind, (2005) Quando o tempo cair, (2005) O Cheiro do Ralo, (2004) O Coronel e o Lobisomem, (2004) Garotas do ABC, (2004) Nina, (2003) Lisbela eo Prisioneiro, (2001) Lavoura Arcaica, (2001) Caramuru - A Invenção do Brasil, (2000) A Nova Onda do Imperador, (2000) O Auto da Compadecida, (1996) Guerra de Canudos, (1996) O Que É Isso, Companheiro?, (1995) Flora, (1995) Razão Pra Cre, (1993) Lamarca, (1990) Uma Escola Atrapalhada.