
TOO SEXY FOR MY LOVE (PARTE II)
Por Sylvia Marteleto (inimiga do povo?)
O segundo episódio aconteceu aproximadamente dois anos depois. Como boa adolescente despirocada do gueto que fui, resolvi que iria com o meu benzinho “fazer amor” no território destinado à igreja, protegido por muros altíssimos, ao lado da própria capela. Em minha defesa, foi ele que me convenceu. Afinal, qual mulher não pularia o muro da igreja para fornicar com o seu amor? Pergunte à sua avó. Ela lhe contará.
Ele era magro, mais baixo do que eu, e obviamente, mais ágil. Combinamos que eu pularia primeiro, apoiando os meus pés em seus ombros. Ele pularia em seguida e eu, de cima do muro, desceria ao outro lado através do mesmo método de subida. Muito obrigada. Sim, eu sei. Desde esta época, já sabia planejar as coisas na minha vida. Sempre foi um dom.
O nosso plano foi o mais acertado que todos os planos que envolvem sexo em locais sagrados. Mais uma vez, obrigada por reconhecer nossa inteligência. Mas, o fato é que na volta, erramos um pouco nos cálculos. Quer dizer, como bem já havia dito, o coitadinho era magro. Então, a esta altura, o leitor já sabe o que aconteceu...
As antigas laranjas de Teodoro caíram do muro. Eu caí de cima dos ombros do meu amor, enquanto tentava pular o muro para o lado de fora da igreja. Não foi culpa dele; o coitado era magrinho. Afinal, qual mulher nunca caiu de cima dos ombros do seu parceiro sexual? Pergunte à sua mãe. Ela lhe contará. Eis a verdade que poucas possuem.
Mas, de fato, a queda foi dura. Seus ombrinhos esqueléticos não suportaram o peso da Inimiga do Povo. Caí de muito alto. Na verdade, nem sei como conseguimos pular o muro para a fornication. O tesão faz milagres, minha amiga. E naquele momento, após a queda, as mesmas mãos que me bolinaram em momentos preciosos, me colocaram deitada na calçada com a cabeça sobre suas pernas.
“Uuuuurrggg!...”, balbuciava enquanto sentia o forte golpe da queda. “Shh, shh, calma, vai passar, vai passar...”, tentava meu loverboy me acalmar.
Com muito custo, fui me recuperando. As laranjas agora pareciam limões-capeta. Sentia que minhas costas estavam pregadas ao chão. Mas, fui me recuperando. E ele, solidário, acendeu o último cigarro de seu maço para me acalmar. Sim, após esta bela tentativa de homicídio, não satisfeito, colocou em meus lábios um derby azul. Eu devia ter terminado com ele naquele instante. Não por causa do tombo, mas por conta do golpe derradeiro do cigarro barato ao final da noite já desastrosa.
Já recomposta, fomos andando os dois – um adolescente caquético e sua dama com problemas de coluna. Passados alguns quarteirões, solicitei que me comprasse um cigarro picado no bar da esquina da rua acima. Como eu não conseguia me locomover perfeitamente, o meu benzinho anoréxico se prontificou em comprar o cigarro. À espera dele na esquina, decidi arrumar a calça. Eis a última surpresa da noite: minha calça estava rasgada na parte... na parte.. digamos, na bunda. E como um carro havia passado por mim quando eu estava de costas com a mão em uma das nádegas, provavelmente o motorista pensou se tratar de uma meretriz que sofria de hemorróidas.
O meu amor subnutrido regressou com dois cigarros para me recompensar pelos problemas da noite. E seguimos nós quatro pela madrugada: eu, ele e o par de limões de Teodoro.
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