Sábado, 10 de Maio de 2008

"POESIA SEM NOME XIII"


POESIA SEM NOME XIII
Por Vasla

(2005)


Deveria morrer.
Indesculpavelmente deveria me entregar.
Partir sufocada com minhas ambições secretas,
Meros produtos mundanos coisificados.

Deveria partir com meus sonhos franceses e nova-iorquinos
Para o além.
Adormecer fatalmente por minhas fantasias de luxúria,
Quando os sonhos (vejam bem, os sonhos!) já fornecem vagas ao questionamento.

Deveria eu então morrer pela cultura?
De fato morreria eu como sátira itinerante.
Morreria a ver legendas, a explorar minha multiplicidade,
A comentar atualidades seletas e inteligentes
Com o mar...

Pior, morreria eu vaca odiosa
Impossibilitada de afetar o cosmo com esta mesma vaquicidade.
Pior ainda, morreria eu absorvendo
O fétido piscar de olhos da nata maldita
Por morrer sendo ninguém.

Morreria com fotos de Tribeca.


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Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

"DISQUE 4 PARA ACHAR GILBERTO GIL"



DISQUE 4 PARA ACHAR GILBERTO GIL

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)


Boa tarde. Hoje, chego nestas linhas com um objetivo fixo. O de achar Gilberto Gil. Nada pode me desviar desta meta. Não, hoje.

Por onde anda o Gilberto Gil? Alguém tem visto o Gilberto Gil? Eu quero saber onde está o Gilberto Gil, nem que seja me utilizando da rima:

Alguém viu
O Gilberto Gil?
Por que o Gilberto Gil
Sumiu?

Ninguém? OK. Ninguém viu o Gilberto Gil. A última vez em que vi o Gil bem exposto em alguns veículos de comunicação, foi na época do lançamento do “Ano do Brasil na França”. Recordo-me perfeitamente, o evento foi um sucesso; o Gil, condecorado. Um grande passo para a cultura do país (sendo este, a França). Aplausos para todos os envolvidos.

Mas, um pouco antes da França, eu já não via o Gil tanto assim. Eu costumava achá-lo com mais freqüência, bem antes da Europa. Antigamente, encontrava-se o Gil em shows. Em 2003, por exemplo, ele poderia ser encontrado por 2 kg de alimentos não perecíveis, na calourada da PUC Minas. Eu tenho saudade deste tempo; do tempo em que Gil era acessível.

Agora, tornou-se muito difícil ver o nosso ministro kaya. Hoje em dia, é mais fácil achar o Gil no youtube. É só digitar “tropicália” ou “por isso eu vou na casa dela-aiá”, e bam! Contudo, mesmo com o youtube, é ainda coisa difícil achá-lo pessoalmente. É mais provável achar o Wally em Pequim.

Na verdade, hoje, eu só queria achar o Ministro da Cultura, para perguntar sobre cultura; ou melhor, sobre as dificuldades de difusão de obras e autores desconhecidos na cultura brasileira. Como artista bem-sucedido e homem experiente de política, gostaria que me esclarecesse sobre o que devo fazer para divulgar meu perfil artístico e vender um único exemplar de um livro meu nas livrarias.

Devo me prostituir, fazer um blog contando minhas peripécias sexuais, criar o pseudônimo “Tanya Safadinha”, me arrepender e lançar um best-seller? Ou devo me enveredar no mundo do tráfico, ser condenada, libertada, me arrepender e lançar o filme “Meu nome não é Silva”?

Não se ofenda. Eu perguntaria a você, mas prefiro perguntar a um homem comprometido com suas responsabilidades profissionais – no caso, a cultura de um país (sendo este, a França). Além disso, a Isabel Fillardis bem poderia me interpretar na película.

Mas, não há como achar o Ministro...

Então, como não acho o Gil, procuro agora por Isabel Fillardis. Por onde anda a Isabel Fillardis? Alguém viu a Isabel Fillardis? Iza, querida, topa um trabalhinho?

Disque 5 para achar Isabel Fillardis.


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SARAVÁ!

Sábado, 26 de Abril de 2008

"O MENINO MALUQUINHO (DA IGREJA)"


O MENINO MALUQUINHO (DA IGREJA)

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)



Agora, a moda é padre voar de balão. Uau! Está aí uma sentença que nunca imaginei usar: “padre voar de balão”.

O padre Adelir de Carli tinha o objetivo de bater um recorde, voando por 20 horas usando balões de festas gigantes, saindo do litoral paranaense com destino à cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul.

Até aí, tudo bem. Um padre voando com balões; normal. O problema é que o padre, antes desta última aventura, tinha sido expulso da escola de vôo livre Vento Norte, em Curitiba, por indisciplina e exibicionismo. Além disso, cursou apenas 10 horas de aulas práticas e 4 horas de aulas teóricas; quando para completar o curso, precisaria de 40 horas de prática e 30 de teoria.

Anteriormente, o padre já havia se envolvido em um acidente, por conta de sua indisciplina. Ademais, o próprio instrutor que o expulsou do curso, disse que as condições eram desfavoráveis para o vôo daquele dia, que o padre não realizou nenhuma das inspeções necessárias para a segurança do vôo e que este se portava como um “playboy” sem humildade.

Tem gente que acha que o padre foi imprudente, negligente e até mesmo, surpreendente. Eu discordo, porque nada disso me surpreende. Pois, o que não aprendemos no catecismo é que, padre é um bicho que quando cisma de ser estranho, cisma mesmo: quando não se satisfaz desempenhando suas funções corretamente, não raro, se envolve com pedofilia ou vira showman.

Alguns familiares acreditam que o padre Adelir pode ainda ser encontrado vivo. Tudo de bom pra eles! Tomara! Mas, caso tenha mesmo falecido, uma coisa é certa: que maneira original de morrer! Ganha de uma personagem minha que se chama Betânia, que morre ao final do conto, vítima dos odores de suas próprias flatulências. Ganha até do personagem Francisco Pontes, de Monteiro Lobato, que se enforca na ceroula.

Quando criança, eu tive um vira-lata-último-boêmio-de-Mário-Quintana que se chamava Rex. Ele morreu atropelado por um caminhão de reboque. Eu e meu pai o enterramos em um lote vago fedorento no bairro Caiçara. Na época, se eu tivesse esta idéia magnífica, soltaria o seu corpinho vira-lata com um tanto de balões negros, para morrer com estilo, ao cair na Lagoa da Pampulha.


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Domingo, 20 de Abril de 2008

"O EFEITO TINA EM NOSSAS VIDAS: O QUE É A NOSSA DIVERSÃO?"


O EFEITO T.I.N.A. EM NOSSAS VIDAS: O QUE É A NOSSA DIVERSÃO?

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)

“Divertir-se significa estar de acordo. (...) Divertir significa sempre: não ter que pensar nisso, esquecer o sofrimento até mesmo onde ele é mostrado” (Adorno e Hockeimer).

A abreviação TINA (There is no alternative), designa o estado de impotência e de ausência de saída da macroeconomia do sistema capitalista. Tudo já dito anteriormente, exaustivamente e de maneiras diferentes. Mas, no caso de uma analogia sobre o efeito TINA na cultura, fico com Adorno, Hockeimer e sua indústria cultural, à luz da “Dialética do Esclarecimento”.

O fato é que todos estamos no mesmo barco. Há somente a ilusão de quem rema mais rápido e com mais habilidade, tem chances de se safar. A diversão não é uma opção verdadeira, genuína e inalienável. Ela é uma forma de disciplina. O fato é que o trabalhador se diverte sistematicamente (seja no happy hour no cinema ou no teatro), e esta diversão é apenas um tempo destinado à “renovação” de energias que se dispersarão, novamente e da mesma maneira, logo a seguir, na semana de trabalho.

A diversão é um espaço direcionado ao distanciamento da rotina: esta é a versão original e ideológica, aparentemente, sem a pressuposição de uma ordem estabelecida, calculada. Mas, na promessa falsificada da diversão da indústria cultural, tem-se a sistematização: “(a) indústria cultural volta a oferecer como paraíso o mesmo cotidiano. Tanto o escape quanto o elopement estão de antemão destinados a reconduzir ao ponto de partida. A diversão favorece a resignação, que nela quer se esquecer”.

Estão vendo? TINA! A diversão como forma de disciplinamento implícito e sistemático, remete à relação do consumidor que participa do engano da promessa; convidado que é obrigado a se satisfazer com a leitura do cardápio, já que os próprios itens do cardápio não são acessíveis, conforme os autores exemplificam: “Ao desejo, excitado por nomes e imagens cheios de brilho, o que enfim se serve é o simples encômio do cotidiano cinzento ao qual ele queria escapar”.

Analogamente, para quem acredita que desempenha seu poder de escolha como indivíduo autônomo na cultura industrializada, aí vai mais uma amostra da ideologia introjetada nas possibilidades de escolha: a Indústria Cultural é uma unidade, que se traveste de abrangente e diversificada, possibilitando assim, a crença de que há possibilidades de escolha.

A idéia é simples: a cultura industrializada é composta por nichos, supondo ideologicamente, a existência de diferença de estilos. Há somente um sistema único e mascarado, a cultura inserida no território da administração: “O cinema, o rádio e as revistas constituem um sistema. Cada setor é coerente em si mesmo e todos o são em conjunto”.

“A unidade implacável da indústria cultural atesta a unidade em formação da política. As distinções enfáticas que se fazem entre os filmes das categorias A e B, ou entre as histórias publicadas em revistas de diferentes preços, têm menos a ver com seu conteúdo do que com sua utilidade para a classificação, organização e computação estatística dos consumidores. Para todos algo está previsto; para que ninguém escape, as distinções são acentuadas e difundidas. O fornecimento ao público de uma hierarquia de qualidades serve apenas para uma quantificação ainda mais completa. Cada qual deve se comportar, como que espontaneamente, em conformidade com seu level, previamente caracterizado por certos sinas, e escolher a categoria dos produtos de massa fabricados para seu tipo” (Adorno e Hockeimer).

O efeito TINA impressa por agulhas no estômago de cada um: Época-Veja-Contigo-Carta Capital-Globo Rural-Cult. Jovem Pan-Alvorada-CBN-Inconfidência. Cinema-Seriados-Novelas-Debates-Entrevistas-Jornais. Madonna-Lenine-Skank-CaetanoVeloso-Alcione-Michael Jackson-Marcelo D2-Zeca Baleiro-Clube da Esquina-Bonde do Tigrão-Ed Motta.


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"CURSO DE RETÓRICA DE CURTA DURAÇÃO" (ÚLTIMA PARTE)


CURSO DE RETÓRICA DE CURTA DURAÇÃO.
Professor: Luís Inácio “Lula” da Silva. Palestrante convidado: Paulo Coelho.

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)

ÚLTIMA PARTE


Lição 5) Ressaltar quaisquer aspectos, mesmo os irrelevantes e ilusórios, que designem a superioridade da própria pátria. Para o efeito desejado, comparações informais com outras nações são recomendadas.

PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE LULA DURANTE A APRESENTAÇÃO DA CANDIDATURA DO BRASIL À SEDE DA COPA DE 2014: “Podem ter certeza que vamos fazer uma Copa do Mundo para argentino nenhum botar defeito”.
PALAVRAS-CHAVE: COPA DO MUNDO, ARGENTINO.

NA MESMA DATA, SOBRE O ESTÁDIO DE WEMBLEY, EM LONDRES, AVALIADO EM 800 MILHÕES DE LIBRAS: "É um estádio, confesso, que só tem material mais novo. Mas que o Maracanã causa mais emoção quando a gente entra lá, causa. Outros podem ter carpete, ar-condicionado. Mas o cheiro que foi criado, ninguém tem igual ao Maracanã, o cheiro do espetáculo do futebol".
PALAVRAS-CHAVE: WEMBLEY, MARACANÃ.
FONTE: ZERO HORA. DATA: 30/10/2007.


É importante salientar que, quaisquer aspectos ínfimos, devem ser utilizados na composição de comparações com outras nações – até as economicamente mais desenvolvidas. Não é de interesse tecer comparações sobre as diversas estruturas sociais lançadas ao descrédito, uma vez que o objetivo principal, é o de burlar a inferioridade de estruturas falhas.

FIM DO CURSO

Nós somos uns carnavalescos medíocres.

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Sábado, 12 de Abril de 2008

"NERDS: NÃO DEIXE OS SEUS FILHOS SEM ELES!"


NERDS: NÃO DEIXE OS SEUS FILHOS SEM ELES!

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)



A maioria dos adolescentes tende a ignorar os nerds, os feios e os esquisitos da escola. É a mais pura verdade, que deixa rastros nas vítimas por muitos anos: palavra daquela que só não era a mais remelenta da escola, porque na mesma época existia um rapazinho excepcional que bebia água do chafariz e corria em círculos.

Retomando. Os nerds, geralmente gordos ou magricelos, espinhentos que usam óculos de grau 230, congas e meias esticadas muito além das panturrilhas, são uns pobres coitados – até a página dois.
Não se engane com aquele sujeito que espanta as mocinhas, não recebe dos rapazes convites para ir ao puteiro e é sempre suplente de bandeirinha nas aulas de educação física.

O caso é que, por curtíssima temporada na vida, o nerd nunca é convidado para o banquete da grande popularidade. Ele quase não tem amigos. Ele é alvo de chacotas de gente infinitamente mais imbecil que ele próprio. E é nesta fase que os seus filhos podem se dar bem.

Por mais que a sua filha queira namorar o Nicolas, um dos bonitões da escola, capitão do time de pólo-aquático e filho de gerente bancário, não permita. Ela vai dizer que te odeia, mas você tem a consciência de que as primeiras pedrinhas já foram atiradas no rio futuro das venturas.

Os amigos do futsal chamam constantemente o seu filho para as festas ultra-maravilhosas da Julianinha? Corte isso. Quer queira, quer não, ele deve ser obrigado a dormir na casa do “Ermelindo-esquisitão” todos os sábados, e jogar muito (muito!) videogame. O seu filho vai dizer que te odeia, mas você tem consciência de que ele precisará de alguma dupla-cidadania no futuro.

A Hollywood atual é uma catástrofe. Mas, se há algo de bom que os filmes americanos nos ensinam, é que os populares da escola, quase sempre, não ultrapassam a mediania. Preste atenção a este dado, já que provém de uma cultura especializada no conceito de looser.

Então, caro(a) amigo(a), esteja disposto(a) a sacrificar a popularidade estudantil de seus filhotes – sem pestanejar. Pois, a moral da história é que, a Julianinha de hoje, tem boas chances de se tornar a dondoca-alcoólatra-de-casamento-infeliz de amanhã. O príncipe Nicolas, provavelmente, fracassará nas doze tentativas de ingressar na faculdade de medicina, antes de desistir e se aposentar como vendedor de carros usados.

Já o Ermelindo-esquisitão, além de consultor contratado pela Universidade de Oxford, tem chances de se tornar um homem lindíssimo e alto, após se dedicar a anos de regime e malhação. É ele quem vai arrumar um emprego na Microsoft para o seu filho e levar a sua filha para conhecer Veneza.


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"CURSO DE RETÓRICA DE CURTA DURAÇÃO" (PARTE IV)


CURSO DE RETÓRICA DE CURTA DURAÇÃO.
Professor: Luís Inácio “Lula” da Silva. Palestrante convidado: Paulo Coelho.

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)

PARTE IV


Lição 4) Tudo o que se assemelhe às relações divinas e paternas deve ser utilizado na construção de um bom discurso. A preocupação com a objetividade do tema e veracidade de tais relações deve ser descartada. O posicionamento profético e paterno do discursista estabelece uma relação sentimental com os ouvintes.

PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE LULA NO LANÇAMENTO DO PROGRAMA DE PARCERIA COM O GOVERNO DO ACRE, EM 09/05/2003: "Eu quero cuidar do Brasil. Eu quero cuidar do povo brasileiro. Quero cuidar de cada criança deste país como se estivesse cuidando do meu próprio filho".
PALAVRAS-CHAVE: BRASIL, POVO, CRIANÇA, FILHO.

NA ENTREGA DA MEDALHA DO MÉRITO SERIGY EM ARACAJU, EM 06/05/2003: "Eu quero tratar cada pessoa deste país, de preferência as mais pobres, como se eu estivesse tratando o meu próprio filho".
PALAVRAS-CHAVE: POBRES, FILHO.

EM 16/05/2003, NA VÍDEOCONFERÊNCIA REALIZADA PELO BANCO MUNDIAL: "Ou nós assumimos essa responsabilidade [acabar com a fome no mundo], ou, certamente, os bens materiais que cada um de nós conquistou não compensaram a nossa passagem pela Terra".
PALAVRAS-CHAVE:NÓS, TERRA.

EM FRENTE AO TÚMULO DE CHICO MENDES, EM 09/05/2003: "O homem não nasceu para ceder às dificuldades, nasceu para superar todas as dificuldades."
PALAVRAS-CHAVE: HOMEM, DIFICULDADES.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO. DATA: 01/06/2003.

EM SOLENIDADE NA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA, 24/06/2003: “Nada, podem ficar certos que não tem nada, ne chuva, nem geada, nem terremoto, não tem cara feia, não tem Congresso Nacional, nem o Poder Judiciário. Só Deus será capaz de impedir que a gente faça este país ocupar um lugar de destaque, que ele nunca deveria ter deixado de ocupar”.
PALAVRAS-CHAVE: GEADA, TERREMOTO, CARA FEIA, CONGRESSO NACIONAL, PODER JUDICIÁRIO, DEUS.
FONTE: ISTO É. DATA: 02/07/2003.


Os apelos destes discursos são estritamente “sentimentais”, e não políticos, de acordo com os temas determinados para a discussão. A utilização deste recurso retórico significa uma versatilidade baseada em clichês, capaz de emocionar diferentes camadas da população – especialmente, as mais adeptas das utopias e mensagens messiânicas. Esta é uma estratégia fundamental para mascarar a ausência de lógica discursiva.
(Continua...)


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Sábado, 5 de Abril de 2008

"ESTUDO, LOGO ATACO"

ESTUDO, LOGO ATACO
(aos defensores do “solipsismo” intelectual, do conhecimento estritamente elitista e do saber unilateral)

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)


De acordo com os estatutos informais de condutas intelectuais, coisas como acessar o orkut, dançar Madonna, ver Big Brother, comer Mc’ Donalds, freqüentar shoppings, são coisas inadmissíveis. Aliás, assistir a programas que não sejam da TV Cultura, é pecado grave.

Não diferente, preferir jogar basquete no parque do que ler Flaubert, é coisa de gente burra. Ler a seção de piadas esdrúxulas dos jornais, é atestado de ignorância. Revistas, podem ser apreciadas, desde que especializadas. Filmes, desde que sejam curtas-metragem ucranianos.

Há quem diga que o “estilo cult” de vida, assassina a espontaneidade e o senso de humor das pessoas. Eu discordo. Não concordo mesmo!

Acho extremamente engraçado escutar Brahms ao invés de comparecer ao churrasco da esquina. Tenho certeza que ler Dom Quixote e Minima Moralia nos idiomas originais num sábado à noite, faz sim, uma pessoa mais feliz. Acredito que, almoçar ouvindo ópera, resulta na evolução de um indivíduo.

Multishow, filmes dublados, Desperate Housewives? Eu quero mesmo é saber dos campos de concentração e das origens místicas do nazismo, antes de dormir. Faz bem para a alma. Para a minha e para a de todos.

Já atirei pedras enormes em todas as pessoas que jamais souberam de Arcimboldo, Löwenthal,
Anaximandro de Mileto e Espártaco. Eu abomino a todos que não consultam regularmente um bom dicionário etimológico.

Eu não seria capaz de suportar um homem que não seja poliglota. O sexo é composto, necessariamente, da consciência plena dos falsos cognatos.

Já deixei bem claro, que nesta vida, não consigo me afeiçoar por qualquer ser que não saiba assoviar Debussy ou Villa-Lobos. Já tive a intenção de atacar a pauladas, os animais que desconhecem a profundidade da mitologia nórdica e do parnasianismo.

Da mesma forma, já testemunhei muitos ataques a quem prefere dormir mais aos Domingos, que comparecer a concertos e debates científicos. O ponto vital (do latim vitale) é: nenhum dia é vago para o nous aristotélico.

Se Deus parou mesmo a criação no sétimo dia, foi, certamente, para estudar lingüística.


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"CURSO DE RETÓRICA DE CURTA DURAÇÃO" (PARTE III)



INSCRIÇÕES ABERTAS PARA CURSO DE RETÓRICA DE CURTA DURAÇÃO.
Professor: Luís Inácio “Lula” da Silva. Palestrante convidado: Paulo Coelho.

Por Sylvia Maria Marteleto (inimiga do povo?)

PARTE III


Lição 3) A redundância é um importante recurso para fundamentar qualquer discurso. O uso excessivo de pleonasmos resulta no aumento qualitativo da exposição de uma idéia.

PRONUNCIAMENTO DO PRESIDENTE LULA EM 16/05/ 2003, SOBRE A MUDANÇA DE OPINIÃO DO PT SOBRE REFORMAS: “Uns acordam mais tarde, outros acordam mais cedo. Uns dormem mais tarde, outros dormem mais cedo. Nem todo mundo dorme e acorda ao mesmo tempo”.
PALAVRAS-CHAVE: ACORDAM, DORMEM.

EM 09/05/2003, EM REUNIÃO COM O GOVERNO DO ACRE: "A gente vai percebendo que não há ninguém 100% feio nem ninguém 100% bonito. Ou seja, todo mundo pode ser melhorado".
PALAVRAS-CHAVE: 100% BONITO, 100% FEIO.

EM DISCURSO A PREFEITOS, EM ARACAJU, 06/05/2003: “Todo mundo tem o direito de ser contra, a favor ou muito pelo contrário".
PALAVRAS-CHAVE: CONTRA, A FAVOR.
FONTE: FOLHA DE SÃO PAULO. DATA: 29/05/2003.

A adaptação de pleonasmos, ou de tautologias, ou de redundâncias, pode variar de acordo com o tema específico. Entretanto, tal variação deve resultar, mesmo que de forma indireta, em uma das três conclusões: A=A, B=B ou C=C.

(Continua...)


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